Você fez exames de rotina, encontrou um leve aumento na microalbuminúria ou uma TFG um pouco abaixo do ideal e, mesmo assim, ouviu que “não é nada grave”.
Mas será mesmo?
A verdade é que boa parte das doenças renais silenciosas começa de forma mínima, quase imperceptível, e justamente por isso é ignorada.
Compreender esses sinais iniciais pode ser o que separa você de uma evolução para doença renal crônica no futuro.
Neste artigo sobre doença renal silenciosa, você vai entender:
- O que é doença renal mínima ou silenciosa
- O que significa ter microalbuminúria
- O que fazer quando a TFG está limítrofe
- Por que alterações leves precisam, sim, de acompanhamento
- Como identificar riscos e agir cedo
O que é doença renal silenciosa?
Chamamos de doença renal silenciosa a fase inicial da disfunção renal, quando os rins começam a sofrer, mas não existem sintomas perceptíveis, nenhum inchaço, dor, mudança na urina ou mal-estar.
É uma fase em que o paciente geralmente está bem, mas os exames já mostram irregularidades como:
- Microalbuminúria (perda mínima de proteína na urina)
- TFG limítrofe (filtração glomerular levemente reduzida)
- Alterações discretas na creatinina
- Pressão alta ainda em fase inicial
- Glicose um pouco elevada
- Urina com espuma ocasional
Esses pequenos sinais são como “avisos” do corpo: algo está começando a ficar errado, e esse é o melhor momento para agir.
Microalbuminúria: o que significa e por que é tão importante?
A microalbuminúria é a presença de pequenas quantidades de albumina na urina, geralmente entre 30 e 300 mg/dia.
Não é normal perder proteína pela urina, mesmo em pequenas quantidades. Ela é um dos primeiros marcadores de dano renal, especialmente em pessoas com:
- Hipertensão
- Diabetes
- Obesidade
- Histórico familiar de doença renal
- Síndrome metabólica
Por que a microalbuminúria é tão preocupante?
Porque ela indica que o filtro renal (glomérulo) está começando a sofrer. É como um cano que inicia um pequeno vazamento, não causa alagamento, mas mostra que ali existe um problema.
Além disso, a microalbuminúria está associada a maior risco cardiovascular, sendo também um sinal de que o coração e os vasos sanguíneos podem estar sobrecarregados.
Microalbuminúria sempre significa doença renal?
Não. Ela pode ocorrer temporariamente por:
- Febre
- Exercícios intensos
- Desidratação
- Infecção urinária
- Período menstrual
Por isso, o ideal é repetir o exame e confirmar.
TFG limítrofe: o que é e quando devemos nos preocupar?
A Taxa de Filtração Glomerular (TFG) é o índice que mostra o quanto seus rins filtram por minuto. O valor normal costuma ser acima de 90 mL/min, dependendo da idade.
Quando a TFG está entre 60 e 89, chamamos de TFG limítrofe ou “quase normal”. Muitos médicos ignoram essa faixa, mas ela pode representar:
- Início de perda funcional
- Impacto da pressão alta
- Lesão por diabetes
- Fatores hereditários
- Envelhecimento renal acelerado
TFG limítrofe é doença renal?
Nem sempre, mas pode ser estágio 2 de doença renal crônica, especialmente se acompanhada de:
- Microalbuminúria
- Hipertensão
- Diabetes
- Alterações na urina
- Histórico familiar
Se há dois ou mais fatores associados, a TFG limítrofe passa a ser relevante. [Entenda mais sobre a doença renal crônica e seus estágios]
Por que essas alterações leves não devem ser ignoradas?
Porque a doença renal silenciosa progride sem avisar. Se nada for feito, a evolução pode ser assim:
Microalbuminúria → Proteinúria moderada → TFG limítrofe → TFG reduzida → Insuficiência renal crônica → Necessidade de diálise ou transplante
Mas quando o problema é identificado no começo, é possível:
- Retardar drasticamente a evolução
- Estabilizar a função renal
- Reverter microalbuminúria
- Controlar os fatores de risco
A fase mínima é a fase da prevenção real.
Principais causas de doença renal silenciosa
- Hipertensão
- Diabetes (mesmo “pré-diabetes”)
- Resistência à insulina
- Obesidade
- Síndrome metabólica
- Doenças autoimunes (como lúpus)
- Histórico familiar
- Uso prolongado de anti-inflamatórios
- Idade avançada
- Fumo
Sinais que podem acompanhar a fase inicial (mesmo sem dor)
- Urina com espuma leve
- Pressão mais alta que o habitual
- Inchaço discreto ao final do dia
- Câimbras noturnas
- Cansaço sem explicação
- Aumento da vontade de urinar à noite
Mesmo assim, muitos ignoram esses sinais achando que “é normal”.
Como identificar doença renal silenciosa?
Com exames simples:
- EAS (urina tipo 1)
- Microalbuminúria
- Creatinina
- TFG estimada
- Ultrassom dos rins
Esses exames deveriam fazer parte do check-up anual, especialmente para quem tem fatores de risco.
O que fazer se seus exames vieram alterados?
Aqui estão as medidas recomendadas pela nefrologia:
1. Repetir os exames
Antes de qualquer diagnóstico, é preciso confirmar.
2. Consultar um nefrologista
O especialista irá avaliar:
- Histórico clínico
- Pressão arterial
- Padrão de perda proteica
- Fatores associados
- Presença de inflamação urinária
3. Ajuste de hábitos
- Controle da pressão
- Controle da glicose
- Perda de peso
- Redução de sal
- Hidratação adequada
- Evitar anti-inflamatórios
4. Acompanhamento regular
Mesmo que as alterações sejam pequenas, o acompanhamento evita surpresas no futuro.
Quando realmente devemos nos preocupar?
Procure um nefrologista o quanto antes se houver:
- Microalbuminúria persistente
- TFG menor que 90 mL/min com outros fatores de risco
- Pressão alta não controlada
- Diabetes há mais de 5 anos
- Histórico familiar
- Inchaço nas pernas
- Mudança na urina
Quanto mais cedo a intervenção, maiores são as chances de controlar e evitar progressão. [Veja quando procurar um nefrologista]
A doença renal silenciosa não é “coisa pouca”
Alterações leves nos exames são a maneira do seu corpo dizer: algo está começando a falhar, e esse é o melhor momento para agir.
A fase inicial é a mais fácil de tratar, a que mais responde a mudanças e a que mais evita problemas futuros. Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, o diagnóstico precoce pode prevenir a progressão da doença renal.
Se o seu exame mostrou microalbuminúria, TFG limítrofe ou qualquer alteração urinária, não espere o problema crescer.
Agende já sua consulta com a nefrologista Dra. Shirley Menezes. A prevenção começa agora!