Dra. Shirley Menezes - nefrologista
Doença renal silenciosa - sinais iniciais e exames para detectar problemas renais

Doença renal silenciosa: 7 sinais iniciais que você não deve ignorar

Você fez exames de rotina, encontrou um leve aumento na microalbuminúria ou uma TFG um pouco abaixo do ideal e, mesmo assim, ouviu que “não é nada grave”.

Mas será mesmo?

A verdade é que boa parte das doenças renais silenciosas começa de forma mínima, quase imperceptível, e justamente por isso é ignorada.

Compreender esses sinais iniciais pode ser o que separa você de uma evolução para doença renal crônica no futuro.

Neste artigo sobre doença renal silenciosa, você vai entender:

  • O que é doença renal mínima ou silenciosa
  • O que significa ter microalbuminúria
  • O que fazer quando a TFG está limítrofe
  • Por que alterações leves precisam, sim, de acompanhamento
  • Como identificar riscos e agir cedo

O que é doença renal silenciosa?

Chamamos de doença renal silenciosa a fase inicial da disfunção renal, quando os rins começam a sofrer, mas não existem sintomas perceptíveis, nenhum inchaço, dor, mudança na urina ou mal-estar.

É uma fase em que o paciente geralmente está bem, mas os exames já mostram irregularidades como:

  • Microalbuminúria (perda mínima de proteína na urina)
  • TFG limítrofe (filtração glomerular levemente reduzida)
  • Alterações discretas na creatinina
  • Pressão alta ainda em fase inicial
  • Glicose um pouco elevada
  • Urina com espuma ocasional

Esses pequenos sinais são como “avisos” do corpo: algo está começando a ficar errado, e esse é o melhor momento para agir.

Microalbuminúria: o que significa e por que é tão importante?

A microalbuminúria é a presença de pequenas quantidades de albumina na urina, geralmente entre 30 e 300 mg/dia.

Não é normal perder proteína pela urina, mesmo em pequenas quantidades. Ela é um dos primeiros marcadores de dano renal, especialmente em pessoas com:

  • Hipertensão
  • Diabetes
  • Obesidade
  • Histórico familiar de doença renal
  • Síndrome metabólica

Por que a microalbuminúria é tão preocupante?

Porque ela indica que o filtro renal (glomérulo) está começando a sofrer. É como um cano que inicia um pequeno vazamento, não causa alagamento, mas mostra que ali existe um problema.

Além disso, a microalbuminúria está associada a maior risco cardiovascular, sendo também um sinal de que o coração e os vasos sanguíneos podem estar sobrecarregados.

Microalbuminúria sempre significa doença renal?

Não. Ela pode ocorrer temporariamente por:

  • Febre
  • Exercícios intensos
  • Desidratação
  • Infecção urinária
  • Período menstrual

Por isso, o ideal é repetir o exame e confirmar.

TFG limítrofe: o que é e quando devemos nos preocupar?

A Taxa de Filtração Glomerular (TFG) é o índice que mostra o quanto seus rins filtram por minuto. O valor normal costuma ser acima de 90 mL/min, dependendo da idade.

Quando a TFG está entre 60 e 89, chamamos de TFG limítrofe ou “quase normal”. Muitos médicos ignoram essa faixa, mas ela pode representar:

  • Início de perda funcional
  • Impacto da pressão alta
  • Lesão por diabetes
  • Fatores hereditários
  • Envelhecimento renal acelerado

TFG limítrofe é doença renal?

Nem sempre, mas pode ser estágio 2 de doença renal crônica, especialmente se acompanhada de:

  • Microalbuminúria
  • Hipertensão
  • Diabetes
  • Alterações na urina
  • Histórico familiar

Se há dois ou mais fatores associados, a TFG limítrofe passa a ser relevante. [Entenda mais sobre a doença renal crônica e seus estágios]

Por que essas alterações leves não devem ser ignoradas?

Porque a doença renal silenciosa progride sem avisar. Se nada for feito, a evolução pode ser assim:

Microalbuminúria → Proteinúria moderada → TFG limítrofe → TFG reduzida → Insuficiência renal crônica → Necessidade de diálise ou transplante

Mas quando o problema é identificado no começo, é possível:

  • Retardar drasticamente a evolução
  • Estabilizar a função renal
  • Reverter microalbuminúria
  • Controlar os fatores de risco

A fase mínima é a fase da prevenção real.

Principais causas de doença renal silenciosa

  • Hipertensão
  • Diabetes (mesmo “pré-diabetes”)
  • Resistência à insulina
  • Obesidade
  • Síndrome metabólica
  • Doenças autoimunes (como lúpus)
  • Histórico familiar
  • Uso prolongado de anti-inflamatórios
  • Idade avançada
  • Fumo

Sinais que podem acompanhar a fase inicial (mesmo sem dor)

  • Urina com espuma leve
  • Pressão mais alta que o habitual
  • Inchaço discreto ao final do dia
  • Câimbras noturnas
  • Cansaço sem explicação
  • Aumento da vontade de urinar à noite

Mesmo assim, muitos ignoram esses sinais achando que “é normal”.

Como identificar doença renal silenciosa?

Com exames simples:

  • EAS (urina tipo 1)
  • Microalbuminúria
  • Creatinina
  • TFG estimada
  • Ultrassom dos rins

Esses exames deveriam fazer parte do check-up anual, especialmente para quem tem fatores de risco.

O que fazer se seus exames vieram alterados?

Aqui estão as medidas recomendadas pela nefrologia:

1. Repetir os exames

Antes de qualquer diagnóstico, é preciso confirmar.

2. Consultar um nefrologista

O especialista irá avaliar:

  • Histórico clínico
  • Pressão arterial
  • Padrão de perda proteica
  • Fatores associados
  • Presença de inflamação urinária

3. Ajuste de hábitos

  • Controle da pressão
  • Controle da glicose
  • Perda de peso
  • Redução de sal
  • Hidratação adequada
  • Evitar anti-inflamatórios

4. Acompanhamento regular

Mesmo que as alterações sejam pequenas, o acompanhamento evita surpresas no futuro.

Quando realmente devemos nos preocupar?

Procure um nefrologista o quanto antes se houver:

  • Microalbuminúria persistente
  • TFG menor que 90 mL/min com outros fatores de risco
  • Pressão alta não controlada
  • Diabetes há mais de 5 anos
  • Histórico familiar
  • Inchaço nas pernas
  • Mudança na urina

Quanto mais cedo a intervenção, maiores são as chances de controlar e evitar progressão. [Veja quando procurar um nefrologista]

A doença renal silenciosa não é “coisa pouca”

Alterações leves nos exames são a maneira do seu corpo dizer: algo está começando a falhar, e esse é o melhor momento para agir.

A fase inicial é a mais fácil de tratar, a que mais responde a mudanças e a que mais evita problemas futuros. Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, o diagnóstico precoce pode prevenir a progressão da doença renal.

Se o seu exame mostrou microalbuminúria, TFG limítrofe ou qualquer alteração urinária, não espere o problema crescer.

Agende já sua consulta com a nefrologista Dra. Shirley Menezes. A prevenção começa agora!

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