Dra. Shirley Menezes - nefrologista

Hiperparatireoidismo secundário à doença renal: como a doença óssea está ligada aos rins

Introdução

O hiperparatireoidismo secundário   é uma complicação frequentemente associada à doença renal crônica. Trata-se de uma alteração nos ossos que ocorre devido ao desequilíbrio de minerais no organismo, principalmente cálcio, fósforo e vitamina D, causado pela falência dos rins. Essa condição compromete a saúde óssea, aumenta o risco de fraturas e reduz a qualidade de vida do paciente.

Mas afinal, como a doença renal afeta os ossos, quais são os sinais de alerta e como é possível prevenir ou tratar a osteodistrofia?

O que é a osteodistrofia renal?

O hiperparatireoidismo secundário surge quando os rins não conseguem manter o equilíbrio adequado de cálcio, fósforo e hormônio paratireoide (PTH). Esse descontrole leva a alterações na remodelação dos ossos, que se tornam frágeis e doloridos.

Ele é considerado parte da chamada doença mineral e óssea da doença renal crônica (DRC-MBD), uma das complicações mais comuns em estágios avançados da insuficiência renal.

Como a doença renal afeta os ossos?

Os rins saudáveis desempenham papéis essenciais no metabolismo dos ossos:

  • Ativam a vitamina D, necessária para a absorção de cálcio;
  • Eliminam o excesso de fósforo;
  • Regulam a produção do hormônio paratireoide (PTH).

Quando os rins falham, ocorre:

  • Hipocalcemia (baixa de cálcio no sangue);
  • Hiperfosfatemia (acúmulo de fósforo);
  • Hiperparatireoidismo secundário (excesso de PTH).

Esses fatores combinados provocam desmineralização e enfraquecimento dos ossos, caracterizando a doença mineral e óssea da DRC.

Quais são os sintomas do hiperparatireoidismo secundário da DRC? 

Nos estágios iniciais, a doença pode ser silenciosa. Conforme evolui, os sintomas mais comuns incluem:

  • Dor óssea ou articular;
  • Fraqueza muscular;
  • Deformidades nos ossos (em crianças, pode afetar o crescimento);
  • Fraturas frequentes;
  • Coceira intensa na pele (devido ao excesso de fósforo).

Diagnóstico e acompanhamento

O diagnóstico é feito com base em:

  • Exames laboratoriais: níveis de cálcio, fósforo, PTH e vitamina D;
  • Exames de imagem: densitometria óssea ou radiografias;
  • História clínica: avaliação da evolução da doença renal.

Pacientes com doença renal crônica em estágios 3 a 5 devem ser monitorados de perto, pois o risco de desenvolver osteodistrofia é maior.

Como é o tratamento do hiperparatireoidismo secundário?

O tratamento tem como objetivo corrigir os desequilíbrios minerais e melhorar a saúde óssea. Ele pode incluir:

  1. Controle do fósforo
    • Dieta com restrição de alimentos ricos em fósforo;
    • Uso de quelantes de fósforo prescrito pelo médico.
  2. Reposição de vitamina D ativa
    • Suplementação sob orientação médica para ajudar na absorção de cálcio.
  3. Controle do PTH
    • Medicações específicas podem ser indicadas para redução do PTH.
  4. Diálise adequada
    • A diálise bem ajustada ajuda a manter o equilíbrio mineral.
  5. Transplante renal
    • Em casos avançados, pode ser a solução definitiva para corrigir a causa do hiperparatireoidismo secundário.

Prevenção: é possível evitar o hiperparatireoidismo secundário?

Embora nem sempre seja possível evitar totalmente, é possível reduzir o risco com alguns cuidados:

  • Seguir corretamente o tratamento da doença renal crônica;
  • Controlar os níveis de cálcio, fósforo e vitamina D com exames periódicos;
  • Manter uma alimentação balanceada orientada por nutricionista;
  • Não interromper a diálise sem orientação médica;
  • Consultar regularmente o nefrologista.

Conclusão

O hiperparatireoidismo secundário é uma complicação séria da doença renal crônica que compromete a saúde óssea e a qualidade de vida. Com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado, é possível controlar os sintomas e reduzir riscos, prevenindo fraturas e outras complicações.

👉 Se você tem doença renal crônica, converse com seu nefrologista sobre o monitoramento da saúde óssea e descubra quais medidas podem ajudar no seu caso.

📌 Leia também nosso artigo sobre Doença Renal Crônica: sintomas silenciosos e como prevenir a perda da função dos rins.

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